Amy Lee concedeu uma entrevista ao site Consequece Of Sound que foi publicada nesta quinta-feira (23), nela a cantora respondeu perguntas sobre o empoderamento de mulheres na música, sobre as batalhas do início da carreira e um pouco mais sobre a Synthesis Tour, que chegou ao fim no ano passado. Confira a tradução da entrevista completa:

"Fico muito orgulhosa toda vez que vejo uma mulher no mundo do rock fazendo sucesso"

Não há como negar que o Evanescence foi um divisor de águas. Quando Amy Lee e companhia entraram em cena no início dos anos 2000, era uma época em que a rádio tradicional era ativa não tinha nada além de artistas masculinos nas paradas. O Evanescence encontrou-se uma anomalia ao lado de bandas como Limp Bizkit, Creed e outros nas ondas das rádios de rock.

Atualmente no mainstream de rock há diversas bandas com frente feminina, de In This Moment até Halestorm, de Halestorm até The Pretty Reckless.

É certo dizer que o Evanescence desempenhou um papel importante na rádio, abrindo a mente das pessoas para uma voz feminina no rock, embora Lee seja humilde sobre isso.

"É difícil realmente levar o crédito, porque para mim, havia muitas mulheres que vieram antes de mim", diz Lee ao Heavy Consequence. "Há Shirley Manson - havia algumas mulheres poderosas em minha bolha nos anos 90. Gwen Stefani também."

"Não é como se eu fosse a primeira das primeiras, mas para entrar nesse espaço e ser capaz de crescer como crescemos, vi que eu era especial".

Lee falou com Heavy Consequence para a coluna mais recente do Beyond the Boys 'Club, discutindo os obstáculos que ela enfrentou no início de sua carreira, a ascensão de mulheres no hard rock e metal ao longo dos anos, sua recente experiência em turnê com uma orquestra completa, novas músicas do Evanescence e muito mais. Leia a entrevista completa abaixo.

SOBRE O EVANESCENCE SER UM GATILHO PARA AS MULHERES NAS RÁDIO NOS ANOS 2000

Eu adoro o fato de me deparar com esse caminho - é a vitória de uma mulher, porque eu me sentia assim, mas foi uma grande luta. Eu sempre achei que ser uma vocalista da nossa banda e estar nesse tipo de gênero era um grande bônus, nos tornava únicos. Todas as pessoas que eu amava e as artistas que cresci amando eram totalmente únicas. Elas tinham um som que ninguém mais tinha. Eu amava pessoas fazendo algo que quando ouvido, sabíamos exatamente quem era. Isso era o que eu queria. Então, para mim, qualquer coisa sobre nós que fosse especial ou única, como ter uma voz feminina em cima de um rock agressivo, era uma vantagem legal.

Quando chegou a hora de gravar, achei que estávamos todos com o mesmo pensamento e não estávamos. Quando eu vim para traçar um plano de marketing e pensar no que iria acontecer nas rádios, de repente, houve um grande problema. Essa singularidade que eu sempre achei tão legal foi vista como um problema pelas pessoas ao nosso redor. O mais gigantesco e difícil obstáculo que eu já tive passar na minha carreira foi autorizar o rap em “Bring Me to Life”. O problema é que, para mim, isso soa como se fossemos outras pessoas. Era uma espécie de Linkin Park feminino e isso não era o que deveríamos ser.

SOBRE O RÓTULO DO EVANESCENCE ESTAR DEFINIDO COM TER UMA VOZ MASCULINA EM “BRING ME TO LIFE”

A razão pela qual eles queriam que fizéssemos isso foi porque eles não tinham fé que uma mulher em uma introdução com um piano cantando sozinha não seria tocada nas rádios de rock. Eu me senti realmente decepcionada no começo, senti que vendi minha alma. Senti como se tivesse que desistir e fazer algo que eu não queria fazer, deixar um cara vir e ser o salvador do dia, para que pelo menos houvesse uma voz de homem lá. Eu pensei assim por um tempo e eu odiava isso.

Mas eu tenho sido muito grata, e sinto que fomos muito abençoados, porque não fomos conhecidos apenas por isso. Nós superamos, nós tínhamos outro single que era hit nas rádios e nenhuma das nossas outras músicas era assim. Meu pesadelo era ninguém nunca mais ouvir nada de nós e que uma única música seria a impressão das pessoas sobre nosso som. Então, foi uma coisa incrível ver nossos fãs entenderem e corresponderem ao redor do mundo para que a gente pudesse continuar e que as pessoas tenham o coração e ouvidos abertos para mais coisas e para que possamos fazer isso ainda hoje.

É engraçado falar sobre isso, porque nós literalmente acabamos de ver Paul McCoy, o cara que fez o rap naquela música, em Nova Orleans, e nós temos muito amor por ele, ele subiu ao palco e nós fizemos “Bring Me To Life". Trouxe de volta tantas lembranças boas. Mas a luta teve que ser travada e eu lutei. O que eles queriam no início, era que fizéssemos audições e que um cara aparecesse e fizesse parte da banda em 8 das 11 músicas do álbum, eles queriam mudar tudo, nós recusamos. Eu tive que voltar a morar com meus pais por um tempo até que finalmente decidi: "Ok, você fará isso só em uma música".

SOBRE O ORGULHO DE VER ARTISTAS FEMININAS, COMO LZZY HALE E MARIA BRINK FAZENDO SUCESSO NO HARD ROCK E NO METAL HOJE

Eu fico muito orgulhosa toda vez que vejo uma mulher no mundo do rock fazendo sucesso e recebendo o respeito que ela merece, porque há tantas musicistas talentosas por aí, de todos os tipos. É muito legal ver todo mundo abrindo seus corações e ouvindo algo diferente, indo por outro caminho, e eu, com certeza, amo que as mulheres estejam recebendo muito respeito, mesmo que seja atrasado. 

SOBRE A INDÚSTRIA MUSICAL E O MOVIMENTO #METOO 

Eu tenho visto muito apoio e encorajamento para as pessoas falarem sobre coisas pelas quais passaram e que tinham medo de dizer antes, eu aprecio e respeito, me relaciono com isso, então isso me deixa orgulhosa e feliz. Para mim, não é apenas sobre mulheres, porque existem pessoas de todas as raças e gêneros - aquelas que lutaram muito em silêncio por serem diferentes. Espero que estejamos entrando em um momento em que isso não é mais do que certo e que sejamos mais encorajadas a falar e sentir que as pessoas ao nosso redor podem nos apoiar apenas por sermos quem somos.

Eu não vejo a beleza em um mundo onde todos são iguais e todos seguem as regras. Não é isso que o rock é, com certeza. Então, quanto mais as pessoas podem respirar fundo e serem corajosas e honestas, falar sobre o que quer que seja - se é alguma dor que tiveram e algum machucado que foi feito a elas, ou apenas orgulho de ser quem são, embora não seja o que todos aceitariam - apenas acho que está certo. Temos que continuar incentivando isso e lutando.

SOBRE A TOUR DO ÚLTIMO ANO COM UMA ORQUESTRA AO VIVO

Foi uma coisa realmente incrível, emocionante estar tocando piano e ter aquela parte onde as cordas entram e acontecerem ao meu redor ao vivo com músicos lindos e reais. Foi como estar no meio de uma trilha sonora de filme. Eu sonhei em tocar músicas assim desde que eu era uma garotinha. Meu sonho antes de estar em uma banda era ser compositora. É engraçado, porque então tudo se transformou em rock e metal e todas as coisas da era alternativa e nossa banda surgiu, mas sempre foi uma combinação entre essas coisas com esse tipo, clássico e apaixonado. Então, levá-lo para o extremo em um cenário ao vivo, curou algo em minha alma que eu desejei desde sempre.

SOBRE TOCAR COM DIFERENTES MÚSICOS DE ORQUESTRAS DIFERENTES A CADA NOITE 

Foi realmente muito bonito. Isso mantém você afiado, porque havia 36 pessoas no palco todas as noites e na maior parte, era uma equipe totalmente diferente de pessoas todas as noites. Então, todos os dias, a orquestra faz o ensaio para saber o que vai acontecer naquela noite. Sabemos o que estamos fazendo, mas muito disso depende da parte orquestral, das pessoas que estão  tocando lá e da sensação deles, é um show completamente diferente a cada noite. Haviam muitas emoções, sentimentos e nuances para ouvir, então eu achei musicalmente muito gratificante.

Então, estou animada para entrar nisso novamente, mas a minha zona de conforto original é bastante solitária - apenas sentado em uma sala com ProTools, teclados e um guitarrista e nós mergulhados, pensando e aproveitando nosso tempo. Então ainda haverá mais disso, isso é uma coisa que eu sempre farei. Eu acho vamos nos alimentar com a energia desses shows de agora e ir para uma pequena sessão de composição para começar, será muito legal. Então, eu não sei como vai soar, mas vai ser aquela coisa épica e linda de orquestra, estamos prontos pelo menos começar o processo de um lugar cru e mais agressivo.

“BRING ME TO LIFE” ESTÁ COMEÇANDO A SER TOCADO EM ALGUMAS ESTAÇÕES DE RÁDIO DE CLÁSSICOS DO ROCK

Isso é estranho! Quando penso em clássicos do rock, sempre penso na mesma época - os anos 70, 80, até os anos 60. Mas, é engraçado, eu acho que à medida que envelhecemos, esse tempo avança, não é? Então, sim - estranho! (Risos) Eu penso nos clássicos do rock como um gênero com Led Zeppelin e outras coisas. Entendi. É um clássico, legal, chame de clássico. Mas rock clássico, isso significa outra coisa para mim!

CONSELHO QUE VOCÊ DARIA A JOVENS QUE QUEREM ENTRAR NESSE RAMO

Eu acho que não existe nenhum método ou receita para chegar a um determinado lugar. Eu acho que a única coisa que sempre permanecerá verdadeira, que eu mantenho ao longo do tempo e que funciona para mim, é fazer música honesta, que eu realmente amo e acredito e quero ouvir. Há muitas opiniões e conselhos diferente, isso se sobressai muito à arte. Eu lutei batalhas criativas ao longo do caminho, e todas elas valeram a pena, porque eu acho que depois que todas essas coisas desaparecem e as tendências mudarem e tudo mais, você será o único a cantar as suas músicas, você tem que ter a paixão por elas para realmente fazer isso e dar seu coração por isso. Eu acho que isso vale mais para as pessoas do que tudo.

Eu vejo isso com nossos fãs. Nós temos muitos fãs incríveis de verdade, que são seguidores dedicados desde o começo em 2000 e 2003, porque é algo que vem do coração. Tipo, pessoalmente o melhor conselho eu daria a um artista é tentar fazer o que realmente é bom e então você vai fazer melhor, de qualquer forma. Vai lá e dê tudo em seu coração.

Acesse a matéria original e confira os vídeos anexados.


Após o fim da primeira fase da turnê de 2019 nesta última quarta-feira (19), Amy Lee concedeu uma entrevista à rádio 93.3 MMRBQ, onde ela falou sobre ter inspiração para a gravação do novo material da banda e também sobre uma possivel turnê comemorativa do álbum Fallen. Confira as fotos da entrevista e clique aqui para ouvir o podcast.







Neste 8 de março, Dia Internacial da Mulher, a Kerrang divulgou uma entrevista exclusiva com a Amy Lee. Ela falou sobre o início da carreira, as dificuldades de ser mulher na industria musical, sobre maternidade e seu irmão Robbie. Confira a tradução completa:

Por um minuto, a vida de Amy Lee foi um redemoinho. No lançamento de seu álbum de estréia, Fallen, em 2003 - que já vendeu 17 milhões de cópias - sua banda Evanescence foi marcada como uma paixão melódica de harmonias barrocas e pesadas guitarras, e imediatamente se tornou um nome familiar.

O dia-a-dia da cantora ficou um pouco louco. A fama envolveu a banda, causando uma ruptura com o guitarrista original Ben Moody. Mas o trampolim para Amy foi definido. Desde então, o Evanescence lançou mais três álbuns de estúdio, um deles uma releitura orquestral de alguns dos materiais mais antigos da banda, incluindo o Bring Me To Life, uma faixa que acompanha Amy em todos os lugares que ela frequenta - até mesmo no metrô de Nova York.

"Eu estava andando de trem, fazendo tarefas", ela ri. “Você ouve todos os tipos de ruídos no trem, mas quando você ouve sua própria voz, você reconhece. Eu estava olhando, pensando: "De onde vem isso?" Estava nos fones de ouvido de um cara; ele estava sentado na minha frente. Estava muito cheio, hora do rush, e eu o observava, pensando: "Quão engraçado seria se ele me visse?", Tentei fazer contato visual e saí, ainda olhando para ele, e logo antes de sair, Eu vi ele me ver. Eu sorri, o trem disparou e eu nunca disse nada para ele. Foi tão incrível."

Muito mudou desde aquela abertura de aclamação. Os shows ao vivo, Amy admite que já foram "uma montanha-russa", tornaram-se uma experiência mais conectiva. "É assustador, você está aterrorizada e, em seguida já quer fazer de novo." Sua vida parece mais tranquila agora, e o filho de quatro anos, Jack, agora a acompanha em turnê. (“Ele é obcecado por ônibus!”) Depois, há as partes do portfólio do Evanescence, entre eles, trilha sonoras de Amy para os filmes Indigo Grey: The Passage (2015) e War Story (2014) e Dream Too Much (2016), um álbum gravado com vários membros de sua família.

"Eu entrei neste mundo e parecia que tudo era possível", diz ela. “É estranho ainda estar nos seus 30 anos. Você pensa assim quando é jovem, e passa. Esse sentimento morre um pouco. Mas eu sinto que estou em um lugar agora - especialmente nos últimos quatro ou cinco anos - onde eu penso: "Por que não?" Não há razão para não tentar. A vida é muito curta…"

Quando era muito mais jovem você se imaginava ainda estar tocando as músicas que escreveu? No Synthesis (álbum de 2017)? Ainda com uma orquestra?

“Você sabe o que é estranho? Eu que fiz. Foi um sonho de infância que se tornou realidade. Quando eu era jovem, o primeiro tipo de música que realmente me fez pensar: "Eu quero ser musicista, sou obcecada por música", foi Mozart e Beethoven. Eu tinha nove ou dez anos de idade. Meu sonho original era ser um compositora de partituras clássicas ou de filmes - algo com o drama cinematográfico de uma orquestra. Isso mudou quando eu me tornei uma adolescente e meus gostos ficaram mais sombrios. ”

Quais bandas mais pesadas influenciaram essa mudança?

“O Nine Inch Nails foi uma das primeiras bandas que me inspirou. Soundgarden também. O Nirvana era enorme. Então Björk e muitos artistas eletrônicos como Massive Attack e Portishead. Eu comecei a ver semelhanças entre o drama da música clássica e as coisas mais pesadas que eu estava ouvindo, e eu queria juntar essas coisas para mim. ”

Quando você percebeu que tinha uma voz para fazer essas melodias?

“Isso levou muito tempo, honestamente. Mesmo no nosso primeiro álbum, que foi o mais comercialmente bem sucedido. Eu tinha 21 anos quando nós gravamos isso, e ouvindo agora eu lembro de estar no estúdio, me sentindo muito insegura. Eu estava com medo dar muitas chances para a minha voz, então eu era sempre direta, não fazia nada além do que eu sabia que poderia lidar. É difícil explicar porque é um álbum lindo, estou muito orgulhosa dele, mas mesmo assim eu ainda estava tentando me forçar a me sentir segura o suficiente para fazê-lo. Eu sempre me vi como cantora em segundo ou terceiro lugar, como escritora e músico primeiro. Com o canto, usei minha voz como veículo para conseguir me comunicar.

Quando você estava começando, foi difícil tentar superar sua timidez para se apresentar em cafeterias e shows menores?

“Sim, foi aterrorizante. Eu era uma adolescente naqueles dias, e você está tão preocupada com o que todo mundo vai pensar de você. Tudo o que você faz é uma captura de sua identidade. "Se eu não fizer isso direito, então eu sou péssima." Não era apenas porque eu tive uma noite de merda, ou um show ruim, é que eu sou péssima. Ou, "Minha identidade está na música, por isso, se as pessoas não gostarem, as pessoas não gostam de mim." Tudo está tão amarrado em mim mesma. E isso faz parte de ser um artista. Se você se expressar de uma forma artística e compartilhar com as pessoas, se elas rejeitarem, você terá que encontrar uma maneira de não sentir que elas estão rejeitando você. E você também tem que aprender qual é a diferença entre uma audiência e sua família e amigos, e as pessoas que realmente te conhecem de verdade. Naqueles cafés, pizzarias e shows de bares quando eu era adolescente, eu estava tremendo, de pé com os olhos fechados, fazendo o meu melhor para sair e sobreviver ao momento. Mas a maioria das pessoas tem que passar por um pouco disso, especialmente quando você é jovem, para aprender: "Ei, eu sobrevivi! Todo mundo não me odeia e a vida continua, mesmo que eu não fosse tão boa assim. 'É uma experiência básica - você faz isso mais e mais e fica mais confortável. ”

 O sucesso de Fallen em 2003 pegou você desprevenida?

“Minha vida tem sido tão cheia de extremos. É difícil resumir como era quando tudo acontecia porque estava acontecendo rápido, havia muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Eu tive grandes tragédias na minha vida e grandes vitórias também. Mas na época da primeira música, Bring Me To Life, chegou ao número um no Reino Unido, e a próxima música [Going Under, que alcançou oito no Reino Unido] ... Tudo estava acontecendo e nós estávamos no GRAMMYs. Naquele ano, por mais maravilhoso que fosse, ao mesmo tempo, meu irmão Robby estava fazendo uma cirurgia no cérebro e encarando o fato de que talvez ele nunca ficasse bem. E minha família estava tão feliz e tão animada por mim, e eu percebi que havia muita turbulência dentro da banda nos bastidores daquela época. Havia tanta coisa acontecendo. A única maneira de resumir era dizer que era um tempo cheio de extremos. Foi maravilhoso e também aterrorizante, muita aprendizagem aconteceu. Eu sou grata por tudo isso. De certa forma, estou muito mais feliz por estar onde estou agora do que onde estava naquela época. ”

O que você aprendeu sobre si mesma através do prisma do sucesso fenomenal?

“Essa é a parte difícil. Quando você está tentando projetar essa ideia de "Tudo é incrível! Me siga! Compre meu álbum! "Isso não é a realidade. Algo que ajudou a equilibrar tudo isso é que eu adoro poder mostrar - através da minha arte e das dificuldades da minha vida - a luta que é honestamente. Porque quanto mais honesta eu posso ser sobre como me sinto às vezes, sobre meus momentos mais sombrios, mais eu posso me sentir em pé em um palco e aceitando aplausos. Sinto-me mais completa e faz sentido quando sei que as pessoas sabem que não é fácil e que passei por algo difícil e não é uma imagem perfeita. Para exibir uma imagem perfeita de "feliz, incrível, rock" não é real. É inútil.

A fama te assustou?

"Foi estranho. Eu falei sobre isso no segundo disco [The Open Door] de 2006 porque era uma novidade para mim. Muito do que eu precisava escrever era a estranheza disso. Eu era muito jovem. Era difícil perceber, 'Oh, cada pequena coisa que eu faço, todo mundo está assistindo.' Então há pressão, o que foi difícil no começo, mas você tem que encontrar maneiras de fazer sentido em sua mente, não deixar isso virar tudo. Você não tem que comprar o seu próprio hype e manter-se aterrado, porque senão você perde a si mesmo e fica louco. Eu já vi isso acontecer com outras pessoas e é triste e horrível. Eu amo meus amigos, amo minha família - sempre houve coisas que são mais importantes para mim do que minha banda, não importa o tamanho da banda. ”

Você sentiu que foi tratado de maneira diferente porque era uma das poucas mulheres proeminentes em uma era muito centrada no macho alfa?

“É engraçado, mas foi muito difícil para mim separar o que eu era quando garota e o que eu era quando mulher. Eu acho que o tratamento que você recebe das pessoas às vezes é o mesmo. Ou eles te tratam como uma garota idiota, e você não sabe o que está fazendo e então você deve calar a boca e ouvir o cara. Ou você é uma mulher e você não sabe do que está falando, então você deve calar a boca e ouvir o cara. Fica difícil saber a diferença. No início da minha carreira, senti que estava lutando muito contra ser criança. Olhando para trás, eu reconheci que parte daquilo era definitivamente sobre ser mulher.

“Quando cresci e as coisas mudaram para nós, aprendi a reconhecer mais. Eu aprendi a ter mais confiança no meu intestino e como resistir a isso. Até na minha banda eu sempre fui a mais nova. É engraçado, eu sou a líder, eu sou uma garota e eu sou a mais nova, então vai levar todo mundo sendo legal. Não importa quem você é, não importa o seu sexo, você tem que saber quando se defender, especialmente quando se trata de arte. Para dizer: "Esta é a minha arte, acredito nela e você não sabe melhor do que eu, porque a arte não é sobre melhor ou pior, é sobre ser fiel ao coração e fiel à arte. Então, só posso dizer o que sinto, e você vai ter que me deixar dizer isso e não mudar.”

Como você lida com críticas?

“Eu tento me desligar e não levar isso a sério. Eu tenho uma regra que eu tento manter, que é: basta ser verdadeiro consigo mesmo e fazer música que você ama, então você não tem ninguém para quem responder. Se alguém não gostar, tudo bem - eles não precisam. Eu não estou fazendo isso por eles. Não há problema em ser criticado e sempre serei. Isso é o que é preciso se você vai colocar seu trabalho, sua arte e seu coração lá fora. As pessoas vão julgar, mas isso não é o sentido disso. Não estou baseando minha ideia de sucesso nesse julgamento. ”

Seu irmão Robby morreu tragicamente no ano passado. Isso lhe deu um novo ímpeto para escrever e criar?

“Estranhamente, sim. No começo eu nem conseguia falar e o fato de que eu tinha que subir no palco e tocar era algo que eu nem conseguia pensar ou processar. Eu não pratiquei uma única música antes de subir no palco na Austrália quando fizemos a Sydney Opera House. Nós tínhamos isso reservado e era algo que eu estava tão animado, mas depois de tudo aconteceu, foi como "eu não quero fazer isso. Eu não posso fazer isso Não é possível que eu seja fisicamente possível para me levantar e ser a líder na frente das pessoas agora mesmo.” Mas depois fomos para lá - precisávamos fazer isso. Eu queria fazer.

“Eu estava tão agradecido naquele momento no palco, porque realmente senti a verdade que estava nas palavras que eu já havia escrito. Eu não tive força para escrever nada de novo naquele momento. Você acabou de quebrar, mas eu pude ouvir minhas próprias palavras de uma década ou mais antes e ... Se eu tivesse que me levantar e cantar sobre sol e arco-íris, eu teria que cancelar. Eu não poderia ter feito isso.

“O fato de que eu tinha esse lugar real para ir era terapêutico e transcendente. Eu era capaz de canalizá-lo e ouvi-lo de diferentes maneiras, e apenas ouvir e estar tão sintonizado que eu podia ouvir a música cantando para mim. Eu me senti conectado a uma imagem muito maior do que apenas eu, eu e meu show. Eu me senti conectado à minha banda, aos músicos no palco, às pessoas na platéia, ao vivo, em suas realidades, e me senti conectado com o mundo além do nosso mundo. Mas, por mais difícil que fosse voltar, era lindo voltar também. E ficou mais fácil, lentamente, estar lá em cima.

Recentemente você fez sua primeira tatuagem - três corações pixelados do jogo The Legend Of Zelda - em homenagem a Robby. O que isso significa para você?

"Isso foi uma linda experiência. Eu fui sozinha. Foi uma coisa pessoal, mas me fez feliz. Pela primeira vez na minha vida, queria que algo fosse mudado para sempre. Eu sempre senti como, "Oh, eu não sei quem eu vou ser amanhã. Eu quero que tudo seja possível, eu não sei o que eu vou querer fazer, eu nunca conseguirei algo permanente. "Mas eu nunca vou desejar que a tatuagem não esteja lá para se lembrar dele todos os dias."

Como ter sido uma mãe na estrada mudou você?

"É lindo e é muito mais trabalhoso, mas é muito gratificante. Eu nunca me senti tão completa na estrada como tendo minha família comigo. Meu filho tem quatro e ele é totalmente mimado da estrada. Eu não estou dizendo que ele é um bad boy - ele é um bom garoto - mas quando estamos em casa agora e ele está tipo, 'Onde estão todos os meus amigos?' Ele não tinha medo da multidão, ele corria para lá e pelo fim ele estava fazendo uma reverência conosco todas as noites. Isso torna tudo mais divertido, porque faz com que todos vejam como é legal o que conseguimos fazer - eles conseguem ver através de seus olhos. Isso fez uma coisa linda - para todos, eu acho - tê-lo por perto na estrada. ”

Você sente que tem alguma coceira criativa para coçar?

"Eu não acho que nasci com um conjunto de coceiras que nunca mudam, que você coça e depois morre. Eu acho que eu desenvolvo e a coceira continua, com certeza. Eu só estive em casa por uma semana e já estou trabalhando em uma pequena ideia de colaboração. Eu me sinto criativamente inspirada, mas com uma mente muito aberta. Estamos planejando começar a escrever para o próximo álbum do Evanescence no ano que vem, então sim, estamos avançando. É bom fazer música agora mesmo. Eu não tenho uma visão grande, mas no momento, quando você se sente criativo, você apenas faz e vê como é, seguindo essa trilha até estar satisfeito. "

Postado em 4 de março de 2019, 16:00

Fonte: Kerrang


Em matéria ao site Metal Hammer, Amy Lee listou os 10 albuns que mudaram a sua vida, entre eles está o álbum "Evanescence" lançado em 2011, Teenage Dream, da Katy Perry e In Utero, do Nirvana. Confira a lista completa:

O primeiro álbum que eu comprei foi…
The California Raisins – The California Raisins Sing The Hit Songs (1987)

"The California Raisins! É raisins claymation fazendo covers do The Four Tops etc. Foi uma grande coisa nos anos 80 e eu tinha cinco anos de idade. Eu devo ser a primeira pessoa a falar sobre The California Raisins no Metal Hammer."




O álbum que eu gostaria de fazer é…
Nine Inch Nails – The Downward Spiral (1994)

"Essa é uma pergunta difícil! The Downward Spiral. Eu quero tantas coisas que não são da música, mas se esse fosse o meu disco… eu poderia cantar essa coisa toda e ser muito feliz. Eu tenho todos os álbuns do NIN, mas ... Downward Spiral é o meu favorito."




O álbum que partiu meu coração é…
Björk – Vespertine (2001)

“Vespertine de Björk. É realmente sinistro e maduro, tem poesia pagã sobre isso. Há algumas músicas que são tão lindas e são, para mim é uma maneira deixar as coisas de lado e aceitar as coisas de uma maneira muito bonita e meio triste”.





O álbum que eu gostaria de ser lembrado é…
Evanescence – Evanescence (2011)

“Há um motivo pelo qual ele é chamado Evanescence. Estamos muito orgulhosos disso. No primeiro, ainda éramos crianças e experimentávamos muitas coisas - escrevi My Immortal quando eu tinha 16 anos - e o The Open Door foi para nos libertar em alguns aspectos. O crescimento faz de você um músico melhor”.





O álbum que eu ultrapasso o limite de velocidade…
Rob Zombie – Hellbilly Deluxe (1998)

“Eu não dirijo há anos! Então, em termos do que eu trabalho, é Rob Zombie e White Zombie. Eu amo os dois e seus filmes. Embora, ou… eu também trabalhe para Janet Jackson! Ha ha ha!






A melhor arte de álbum é…
 Nirvana – In Utero (1993)

“Eu realmente amo a arte do In Utero. A anatomia desse estranho, mas lindo anjo; sujo, interno e cru. É muito impressionante, e eu amo o disco também - esse álbum foi grande em minha vida. ”






O álbum que eu queria tocar no meu funeral é...
Harry Nilsson – Nilsson: Greatest Hits (1980)

“Harry Nilsson. É difícil escolher um álbum - posso permitir maiores sucessos? Isso é o que eu  mais ouço, mas ele escreveu muitas músicas ótimas, e eu nem percebi que ele era o cara por trás de muitas delas até alguns anos atrás. Eu estava tipo, 'Esse cara escreveu Without You and One?!' Eu definitivamente espero que haja momentos felizes no meu funeral - deve ser uma celebração!”


Uma criança me pergunta o que é metal. Eu lhe entregaria uma cópia de...
Pantera – Cowboys From Hell (199)

“Pantera! Cowboys From Hell. Isso para mim é o melhor do metal. Eu tive fases na minha vida onde achava que metal era o melhor, mas ao longo do tempo, tantas bandas vêm e vão e mesmo assim não há nada como esse sentimento no som deles. E Dime, ele foi simplesmente incrível. Havia algo muito especial naquele homem.


O primeiro álbum que eu fiz foi…
Smashing Pumpkins – Siamese Dream (1993)

“Isso é realmente bom! Estou tentando pensar na primeira que eu recriei. Não me lembro! Ha ha ha! Provavelmente Siamese Dream do Smashing Pumpkins. Essa é uma escolha bem interessante, não é? É bem acelerado. Ah, Mayonaise está no Siamese Dream, então essa definitivamente é a resposta certa.



Ninguém vai acreditar que eu possuo uma cópia de…
Katy Perry – Teenage Dream (2010)

"Ok, eu vou acabar dizendo algo como Christina Aguilera! Ha ha ha! Quem é ótimo no pop? Ok ... honestamente, eu não comprei - foi dado para mim - mas eu coloquei no meu iTunes, então é Katy Perry. Não seja chata, é definitivamente um prazer culposo. Eu gosto dessa música E.T. Eu me pergunto se poderia haver uma versão pesada disso...





Fonte: Metal Hammer


Os fãs do Evanescence estão acusando a Bring Me The Horizon de plágio em "nihilist blues", a mais nova música da banda. A pesar dos gêneros musicais serem diferentes, parte da nova música possui muita semelhança com "Never Go Back", do álbum auto-intitulado, lançado em 2011.

Até o momento nenhuma das bandas se pronunciou sobre o caso. Ouça as músicas:




O site da Loudwire publicou uma lista com os 50 Melhores Álbuns de Nu-Metal da história. Lançado em 2003, o álbum de estréia do Evanescence aparece em 11° lugar:

"Possivelmente um dos álbuns de estréia mais influentes da história do metal, "Fallen" de 2003 levou oito anos para ser concretizado, e estamos felizes com o tempo que eles gastaram! Um processo de edição incrivelmente complexo incluiu o uso de 414 microfones para gravar o chimbal da bateria. O som orquestral e o coral, que definiram o Evanescence, encontraram seu lugar no disco. A voz fantasticamente limpa de Amy Lee oferece um leve alívio aos vocais predominantemente dominados por homens e metaleiros contemporâneos."






Na noite de ontem (27), o site Altpress publicou alguns trechos de uma entrevista com a Amy Lee no qual ela confirma um novo álbum de inéditas do Evanescence. Além de falar sobre a novidade, a vocalista revela que a próxima turnê, que já possui algumas datas de shows divulgadas, não fará parte da Synthesis Live (turnê realizada em 2017 e 2018) e que será breve para que os integrantes possam se dedicar ao processo de criação do novo material. Confira a tradução da entrevista feita pelo site Immortal Essence:

"A banda também disse que o próximo lançamento será uma continuação do álbum auto-intitulado de 2011. (...) 

"Todos nós realmente queremos fazer isso", diz Lee. "E não é uma daquelas coisas em que, tipo, 'Algum dia, talvez façamos algo de novo'. Todos estão a bordo, e estamos nos reunindo para fazer alguns shows no próximo ano, no estilo [do álbum auto-intitulado] - em parte porque acho que será bom voltarmos a essa raiz, voltar a tocar rock and roll no estilo do Evanescence e, simplesmente, juntar-se novamente. ”

Lee diz que a banda não tem grandes planos de turnê no ano que vem. Além de alguns shows, Lee quer ser capaz de ter tempo para lançar novas idéias.

"Acho que vai ser legal que, em vez de fazermos uma longa turnê, o ano que vem será uma espécie de ano aberto para nos inspirarmos, sermos criativos e nos reunirmos para tocar alguns shows também", diz Lee. "Então, temos tempo para nos reunir e nos sentirmos, sermos uma banda, mas também há espaço ao nosso redor para que possamos dizer "Ok. Foi divertido. Eu tive uma ideia. Que tal na semana que vem? Todo mundo está livre? Vamos ficar juntos."

Apesar dos planos promissores da banda, não há um cronograma específico definido para o lançamento de novas músicas ainda.

No resto da entrevista, Lee explica as diferenças envolvidas em tocar um show do tipo rock versus aqueles com uma orquestra. Lee aborda os desafios antes de “voltar ao básico”. Para suas performances mais pesadas, Lee diz que tenta usar o palco inteiro, projetar sua voz e elevar a multidão o máximo possível.

"Eu não estou nervosa pelo retorno, mas ainda não praticamos", diz. "Nós não tocamos no estilo rock há mais de um ano, estou curiosa para isso novamente."

Fonte: Altpress